Publicado em 10-07-2008
Categoria(s): (comunicação) por Andrea Paes Alberico

É o jornal Le Monde Diplomatique Brasil que informa: um noticiário progressista diário de uma hora, sem fins lucrativos, o Democracy Now!, a cada dia ganha mais espaço na mídia dos Estados Unidos. Começou a ser produzido há 12 anos, deu certo e cresceu porque a população anseia por opiniões críticas e progressistas – e percebe que a grande imprensa está muito longe da objetividade e imparcialidade que diz ter. Apenas versões governamentais e corporativas já não são suficientes para explicar a realidade.

“Assim como os principais noticiários matutinos e noturnos, trata-se de um programa que as pessoas acompanham para ter o resumo dos acontecimentos do dia. Mas, ao contrário da grande imprensa, Democracy Now! adota uma postura crítica em relação a seus temas, questionando as políticas e declarações dos que estão no poder, independentemente da filiação partidária”, segundo a matéria, publicada na edição de janeiro de 2008 do Le Monde Diplomatique Brasil.

Isso é conseguido porque o noticiário não se contenta em ouvir a versão dominante: “para produzir suas matérias, Democracy Now! usa os serviços de agências de notícias, mas também explora dezenas de fontes internacionais on-line (a maior parte de língua inglesa), blogs progressistas e relatórios de organizações não-governamentais. Das 15 ou mais chamadas diárias, três ou quatro não são encontradas nos principais noticiários”, esclarece Um sopro de oxigênio na mídia americana, a matéria do jornal Le Monde Diplomatique Brasil. É por isto, também, que notícias amplamente divulgadas na grande imprensa muitas vezes são apresentadas de forma “surpreendentemente diferente”.

A riqueza da abordagem manifesta-se também na diversidade de vozes que têm espaço nos programas: “os entrevistados vão dos mais renomados líderes a pessoas comuns, alvos das políticas governamentais e corporativas, passando por uma longa lista de intelectuais, repórteres investigativos, ativistas, artistas politicamente engajados, representantes de ONGs e funcionários públicos – gente raramente ouvida pelos principais noticiários.”

Mais ingredientes do sucesso

“A organização apóia-se de forma regular em uma base de cerca de 8 mil voluntários – 1.700 deles em Nova York – que se inscreveram via internet e são contatados para trabalhar algumas horas por dia, em geral cuidando de tarefas administrativas”, conta o Le Monde Diplomatique Brasil. E mais: “os voluntários assumem a função de também divulgar o programa, distribuindo folhetos e adesivos de automóvel que podem ser baixados do site. Um grupo de ativistas da Costa Oeste juntou dinheiro para fazer um outdoor do Democracy Now!, com uma frase contra a mídia corporativa e seu papel na Guerra do Iraque”.

E não faltam exemplos de ativismo: “em Massachusetts, quando um grupo não conseguiu convencer a estação pública local a veicular o programa, a octogenária Frances Crowe montou uma rádio pirata em seu quintal e o transmitiu para a comunidade”. Ou então: há dois anos, um pequeno grupo de ativistas do interior do Tennessee, Estados Unidos, com uma petição com cerca de 70 assinaturas, convenceu a estação de rádio pública local a passar a transmitir o noticiário Democracy Now!.

Quando começou a ser transmitido a partir de Nova York, 12 anos atrás, o programa War and Peace Report, do Democracy Now!, foi ao ar em cerca de 30 estações - hoje o número aproxima-se de 700. É graças ao ativismo de organizações locais que o alcance da transmissão do programa “se expande a um ritmo notável: a cada semana, duas emissoras de rádio ou tevê inserem o boletim em sua programação”. War and Peace Report também pode ser acessado e retransmitido por meio de um site e, além disso, é traduzido em espanhol e disponibilizado em 150 emissoras de rádio voltadas para a população de língua hispânica.

A gerente geral da organização, Karen Ranucci, diz que os voluntários sempre vão estar ao lado do Democracy Now’, e mais: “hoje, alcançamos um ponto em que poderíamos produzir o programa mesmo sem voluntários, mas jamais teríamos chegado tão longe sem essa ajuda”.

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